Investigação

15 Dezembro 2020

Estudo aponta para eficácia do cianoacrilato no tratamento da veia safena magna incompetente

O tratamento da veia safena magna incompetente recorrendo à técnica de ablação minimamente invasiva com base no sistema de fechamento de cianoacrilato (CAC), revelou-se seguro e eficaz no longo prazo, de acordo com as conclusões do ensaio VeClose.

Este ensaio clínico randomizado, e respetivo estudo de extensão, visaram comparar a eficácia de uma técnica convencional (ablação por radiofrequência – RFA) com uma técnica minimamente invasiva (CAC), tendo como pano de fundo o facto de a gestão da doença venosa crónica (DVC) e, em concreto, da insuficiência da veia safena ter evoluído significativamente nas últimas duas décadas, com as técnicas endovenosas minimamente invasivas a ganharem relevo, em detrimento das cirurgias convencionais.

As terapias endovenosas que incluem ablação por radiofrequência (RFA) e ablação com laser endovenoso (EVLA) já demonstraram ser seguras e eficazes em estudos de follow-up de dois e cinco anos. No entanto, quer a RFA, quer a EVLA requerem o uso de anestesia tumescente (TA), o que não só prolonga o período do procedimento cirúrgico, como as múltiplas injeções tumescentes usadas durante o procedimento acarretam o risco de causar equimose, dor e hematoma no período pós-operatório. Além disso, muitos doentes são intolerantes a agulhas, o que torna a TA uma opção inviável nestes doentes. Para contornar estes problemas, foram desenvolvidas terapias não térmicas e não tumescentes para o tratamento de insuficiência da veia safena. Uma delas é a técnica minimamente invasiva de fechamento de cianoacrilato (CAC) usando o sistema VenaSeal, que envolve a entrega endovenosa de adesivo de CAC na veia, induzindo uma resposta de reação a um corpo estranho (resultando em fibrose e fechamento). O CAC é um dispositivo médico não-térmico e não-tumescente único que não requer o uso de esclerosante.

Os resultados iniciais do estudo principal de três meses do Sistema de Fechamento VenaSeal Sapheon dos EUA (VeClose) demonstrou não inferioridade do CAC versus RFA, demonstrando excelentes taxas de fechamento da veia safena magna com bons perfis de segurança.

O objetivo deste estudo de follow-up prolongado foi avaliar a eficácia e segurança a longo prazo de CAC versus RFA, cinco anos após a intervenção em doentes com incompetência da veia safena magna. Durante o período de follow-up de 60 meses, 56 doentes foram tratados com fechamento por CAC e 33 doentes com RFA nas veias safenas magnas incompetentes. Não houve novas recanalizações, com percentagens de liberdade de recanalização nos grupos randomizados de CAC e RFA de 91,4% e 85,2%, respetivamente nos braços tratados por CAC e RFA.

Desta forma, ambas as técnicas resultaram em melhoria estável e sustentada de sintomas e qualidade de vida, sem efeitos adversos graves notificados entre os 36 e 60 meses. Concluiu-se assim que, aos cinco anos, o tratamento com o sistema CAC foi seguro e eficaz no tratamento de longo prazo da veia safena magna incompetente.